A atividade econômica argentina caiu em agosto na comparação anual, com retração da indústria e do comércio. O resultado reforça as projeções de recessão técnica no terceiro trimestre, após a contração registrada entre abril e junho.
A economia da Argentina voltou a apresentar sinais de enfraquecimento. A atividade econômica recuou 1,7% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC). Em relação a julho, porém, houve uma alta de apenas 0,1%, insuficiente para compensar a forte queda registrada no mês anterior.
Os números aumentam a preocupação com o desempenho econômico do país sob o governo do presidente Javier Milei. Analistas avaliam que a Argentina está próxima de registrar uma recessão técnica no terceiro trimestre, depois de o Produto Interno Bruto (PIB) cair 0,6% no segundo trimestre, em relação aos três meses anteriores.
Indústria e comércio pressionam a atividade
A retração não atingiu todos os setores da mesma maneira. Enquanto a mineração e a extração de petróleo e gás avançaram, atividades ligadas à produção industrial e ao consumo interno apresentaram resultados negativos.
Em agosto, a mineração e a extração registraram crescimento de 11,1% em relação ao mesmo mês de 2025. O fornecimento de eletricidade, gás e água aumentou 4,3%.
Na direção oposta, a indústria de transformação recuou 3,2%, enquanto o comércio atacadista e varejista, incluindo reparos, apresentou queda de 3,5%. A pesca registrou retração de 15,7%, a maior entre os setores acompanhados pelo indicador.
Os resultados mostram uma economia com desempenhos desiguais: atividades ligadas aos recursos naturais sustentam parte do movimento, enquanto segmentos associados ao consumo e aos centros urbanos continuam enfrentando dificuldades.
Recessão técnica entra no radar
A recessão técnica é caracterizada, em geral, por dois trimestres consecutivos de queda do PIB em relação aos trimestres imediatamente anteriores, considerando dados ajustados sazonalmente.
No segundo trimestre de 2026, a economia argentina encolheu 0,6%. A forte retração mensal da atividade em julho e a recuperação limitada de agosto dificultaram a possibilidade de o país evitar uma nova queda no terceiro trimestre.
O indicador mensal de atividade econômica, conhecido pela sigla EMAE, funciona como uma estimativa antecipada do desempenho do PIB. O resultado definitivo do terceiro trimestre depende dos dados trimestrais oficiais e ainda precisa ser confirmado.
As projeções divulgadas após os números de agosto apontam para uma probabilidade elevada de recessão técnica. A confirmação, entretanto, depende dos resultados oficiais do período.
Acumulado do ano ainda registra crescimento
Apesar do resultado negativo de agosto, o indicador de atividade econômica acumulou alta de 1,2% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.
Esse dado não elimina os sinais de desaceleração. A comparação anual acumulada pode continuar positiva mesmo quando a economia perde força nos meses mais recentes, especialmente depois de períodos de crescimento.
O desafio do governo argentino é transformar o desempenho de setores exportadores e produtores de recursos naturais em uma recuperação mais ampla, capaz de alcançar a indústria, o comércio e o consumo das famílias.
Perspectivas dependem dos próximos indicadores
Os próximos dados sobre a atividade econômica serão importantes para dimensionar a intensidade da desaceleração. A divulgação do indicador referente a setembro deve ajudar a esclarecer o desempenho do terceiro trimestre, enquanto os números oficiais do PIB permitirão avaliar se a economia entrou formalmente em recessão técnica.
Para o governo de Javier Milei, o cenário representa um desafio: sustentar a estabilização econômica sem aprofundar as dificuldades dos setores que dependem do mercado interno.
A queda de agosto, isoladamente, não define toda a trajetória da economia argentina. No entanto, combinada à contração do segundo trimestre e à fraqueza da indústria e do comércio, ela reforça os sinais de que a recuperação permanece desigual e vulnerável.
3. Levantamento dos principais números
| Indicador | Resultado | O que significa |
|---|---|---|
| Atividade econômica em agosto, na comparação anual | -1,7% | Queda em relação a agosto de 2025 |
| Atividade econômica em agosto, na comparação mensal ajustada sazonalmente | +0,1% | Recuperação muito pequena após julho |
| Acumulado de janeiro a agosto | +1,2% | O resultado acumulado do ano ainda é positivo |
| PIB do segundo trimestre | -0,6% | Contração em relação ao primeiro trimestre |
| Mineração e extração em agosto | +11,1% | Um dos setores que sustentaram a atividade |
| Indústria de transformação em agosto | -3,2% | Recuo anual |
| Comércio atacadista e varejista em agosto | -3,5% | Fraqueza do comércio e da demanda interna |
Os números de agosto são do indicador mensal de atividade econômica, o EMAE, e não devem ser apresentados como se fossem a variação do PIB trimestral. Buenos Aires Herald
4. Fontes para consulta e conferência
- Fonte oficial: INDEC — Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina — responsável pela divulgação dos indicadores econômicos.
- Contexto sobre a queda de agosto e o risco de recessão: Buenos Aires Herald.
- Perspectivas para a economia argentina em 2026 e 2027: Reuters, via UOL Economia.
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