Marcos Rogério já não é exatamente o mesmo candidato de quatro anos atrás e, o eleitorado, também não é.
Roberto Gutierrez – Muito embora tenha fundamento a tese de que o PT e parte da centro-esquerda de Rondônia poderiam ter o poder de decidir uma eleição de segundo turno para governador, como ocorreu há quatro anos, quando Marcos Rocha venceu Marcos Rogério, essa lógica parece se desmanchar na eleição de 2026.
*Maturidade política*
O senador Marcos Rogério amadureceu politicamente. Hoje, revela-se como uma direita moderada, sinalizando, inclusive, caminhos que dialogam com ideias progressistas. Essa construção de perfil parece agradar a uma parcela importante do eleitorado de centro, especialmente aquela que não se deixa conduzir por pautas imediatistas ou por ideologias fabricadas nas redes sociais.
*Fundamento*
Em síntese, diante da postura que vem adotando, Marcos Rogério poderá encontrar menos resistência no centro político eleitoral de Rondônia. Os 60% do eleitorado que, nesta análise, reúno entre eleitores de centro, de direita, não teriam, em um eventual segundo turno, grande dificuldade de se identificar com o seu discurso. Aí se explica os números da Quaest apontando uma vitória de Marcos no segundo turno.
*Percepção coletiva*
É claro que estamos diante de uma fotografia do momento, captada às vésperas do início do horário eleitoral gratuito. Pesquisa eleitoral não é sentença, muito menos antecipa o resultado das urnas. Mas os números da Quaest para o governo de Rondônia parecem ter extraído algo mais profundo: uma espécie de percepção coletiva sobre o perfil de governador que parte expressiva do eleitorado deseja, mesmo quando não consegue explicar exatamente qual é esse perfil.
*Centro*
Pela minha leitura, Marcos Rogério conseguiu, até aqui, aproximar sua imagem dessa expectativa. Talvez esteja aí uma das principais mudanças desta eleição: o eleitor de centro, que em 2022 foi contra Marcos Rogério, hoje pode ser justamente o espaço onde ele encontra maior possibilidade de crescimento.
A eleição, evidentemente, ainda está longe de estar decidida. Mas uma coisa parece diferente: Marcos Rogério já não é exatamente o mesmo candidato de quatro anos atrás. E o eleitorado também não é.
“Roberto Gutierrez é jornalista. Na comunicação desde outubro de 1976, passou por todas as mídias e há quase três décadas é editorialista e analista político.”
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