Os bastidores da política em Rondônia na coluna do Gutierrez

Silvia Cristina recorre à Justiça para garantir igualdade na propaganda eleitoral, enquanto a reta final da disputa em Rondônia expõe estratégias, contradições e personagens da política.

 

Recorrer à Justiça e ganhar

Se transpuséssemos ao tempo do Brasil Colônia o comportamento da federação partidária para com a candidata ao Senado Silvia Cristina, poderíamos dizer que ela estaria em uma ala dos excluídos, sem os direitos da Casa-Grande. Silvia Cristina teve que acionar a Justiça para ganhar direitos iguais na propaganda eleitoral no rádio e na TV, iguais aos de sua correligionária Mariana Carvalho, também candidata ao Senado.

 

Comportamento sórdido

Pastores de comportamento que leva ao entendimento de uma espécie de “evangelistão” estariam demonizando Silvia Cristina junto a fiéis por conta da opção matrimonial dela.

Um desses seres, autodenominado ungido, adora frequentar casas de prostíbulo em Porto Velho e o outro é bissexual. O que ambos fazem não está no centro do pensamento crítico desta nota, mas a maldade sórdida de demonizar os outros pelo simples fato de prejudicar uma candidatura, porque estaria sendo patrocinado por um candidato para isso.

 

Já chega!

Rondônia passou oito anos num marasmo administrativo por conta de um governo de comportamento administrativo medíocre. Em metáfora chula, Rondônia teria passado os últimos oito anos limpando o traseiro com plástico.

Esse mesmo governo apoia o candidato Adailton Fúria, cuja consistência das ideias de governar, comparada à dos adversários, teria a profundidade de um pires cheio até a borda. O mais incrível é que tenta esconder Expedito Júnior, um político histórico de Rondônia que ajudou a articular a campanha de Fúria ao Governo.

 

Vida inteligente na política

A jornalista Luciana Oliveira consegue colocar sua campanha ao Senado nas redes e nas ruas. Com posicionamento progressista, ela, sem dúvidas, é vida inteligente na política. O universo de votos possível no qual pode navegar está na esquerda e nas variáveis de centro.

 

Aposta de Hildon Chaves

As peças publicitárias de Hildon Chaves melhoraram muito. O mais conceituado ex-prefeito da capital de Rondônia aposta em avançar, nesta reta final de campanha, nos mais de 50% dos eleitores indecisos. A dificuldade aparente em conseguir dizer o que realmente pensa em curto espaço nos debates seriam reflexos da Covid-19, conforme foi revelado a Robson Oliveira.

 

Acir Gurgacz está muito acima da média

A conquista da pavimentação da BR-421 Porto Velho/Manaus e a revisão nos valores do pedágio da BR-364 (reivindicação atendida) são conquistas que podem ser atribuídas ao ex-senador Acir Gurgacz, atual candidato ao Senado por Rondônia.

Acir, hoje, é o mais preparado para esse cargo. Consegue dialogar com todos os segmentos, é respeitado nos corredores dos três Poderes e, desde muito jovem, foi preparado para fazer o que está vivendo.

 

Eunuco do imperador

Com o histórico de confidente e com a liberdade de frequentar a casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, tendo, inclusive, segundo os bastidores, a fama de ser o elo de aproximação entre os inúmeros pedidos que desejavam uma aproximação com o ex-presidente, sem dúvidas, sendo verdade, seria um poder político muito grande.

Se transpuséssemos essa capacidade e poder político há 1.200 anos, na Dinastia Ming, por exemplo, esse poder seria atribuição do eunuco-chefe do imperador. Seria um bom apelido para Bruno Sheid: Eunuco do Bolsonaro, já que a Justiça Eleitoral está embaçando com o nome Bruno Bolsonaro. Se reclamar, eu não te ajudo mais! Hehehehe.

 

Surpreendente

A estratégia da campanha do senador Marcos Rogério, rumo ao Governo do Estado, está bem mais eficiente. A linha de discurso respaldada no plano de governo, a maturidade no trato das questões polêmicas, sem abrir mão da identidade de direita, transforma Marcos, na atualidade, em alguém muito capaz nas coisas que diz e se propõe a fazer.

 

Observação ao Netto

A consistência das ideias, conteúdo e discurso do candidato do PT ao Governo de Rondônia, Expedito Netto, revelam que esse rapaz evoluiu muito no campo político progressista.

Alguns ajustes na musicalidade verbal, ou seja, condensar as ideias com serenidade, sem perder o ponto da firmeza, o tornaria mais receptível.

 

Muito estranho

É evidente que a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal tem a intenção de provocar desequilíbrio na disputa presidencial.

Não com essas palavras, evidentemente. Mas esse é o entendimento que se pode extrair da manifestação do ministro Gilmar Mendes ao justificar o pedido de vista que fez para analisar e votar sobre a decisão monocrática de André Mendonça.

A questão, portanto, vai muito além do afastamento de um diretor da Polícia Federal.

Estamos diante de uma decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal que interfere diretamente na estrutura de uma instituição subordinada ao Poder Executivo em pleno processo eleitoral.

 

De caso pensado

O ponto central da crítica que faço é saber se um ministro do STF poderia usar uma decisão cautelar para retirar do cargo o chefe de uma instituição subordinada ao Poder Executivo, especialmente quando a medida pode produzir efeitos políticos sobre uma disputa presidencial.

A Polícia Federal não é uma instituição do Supremo Tribunal Federal. É vinculada ao Poder Executivo.

E o diretor-geral da PF é uma autoridade cuja nomeação e exoneração estão dentro da esfera de competência do presidente da República.

Por isso, a pergunta que fica é inevitável:

Até onde pode ir o poder cautelar de um ministro do STF quando sua decisão interfere diretamente na estrutura de um órgão do Executivo e, ao mesmo tempo, produz consequências no ambiente de uma disputa eleitoral?

Não se trata apenas de saber se a decisão é juridicamente possível.

É preciso saber também se é politicamente prudente, institucionalmente adequada e compatível com a separação dos Poderes.

E é justamente aí que a história começa a ficar muito estranha.

 

 

Roberto Gutierrez é jornalista. Na comunicação desde outubro de 1976, passou por todas as mídias e há quase três décadas é editorialista e analista político.”

 

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