Ameaça externa e a conveniência política de Trump

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Em meio ao desgaste interno e à ameaça de derrota republicana no Congresso, Trump encontra na tensão com o Irã uma oportunidade de deslocar o debate público para a segurança nacional e recuperar protagonismo político.

Não é preciso acreditar em teorias conspiratórias para perceber que conflitos internacionais também produzem efeitos dentro da política doméstica. A tensão entre Estados Unidos e Irã é um exemplo que merece atenção, especialmente às vésperas das eleições legislativas americanas.

Donald Trump enfrenta um cenário interno complicado. Pesquisas apontam dificuldades de aprovação e uma vantagem democrata na preferência do eleitorado para as eleições do Congresso. Nesse ambiente, qualquer mudança na agenda política ganha importância.

Uma ameaça externa, mesmo quando possui fundamentos reais, altera o comportamento da sociedade e o foco do debate público. A discussão sobre economia, inflação, popularidade presidencial e dificuldades do governo pode ceder espaço à segurança nacional.

É um fenômeno conhecido na política: diante de uma ameaça externa, parte da população tende a se unir em torno do presidente, independentemente das divergências que existiam até então.

Isso não significa que Trump esteja inventando uma ameaça ou planejando uma guerra para salvar seu partido. Significa que existe uma diferença entre a existência de um problema internacional e a maneira como um governante decide administrá-lo e utilizá-lo politicamente.

O perigo está justamente nessa fronteira. Quando a segurança nacional passa a ocupar o centro da disputa eleitoral, decisões que deveriam ser avaliadas pela dimensão diplomática e militar também passam a produzir dividendos políticos.

Trump pode não ter criado a tensão com o Irã, mas certamente sabe que ela muda o ambiente político americano.

E, em política, nem sempre é necessário criar uma crise para tirar proveito dela.

Uma ameaça externa, mesmo quando possui fundamentos reais, altera o comportamento da sociedade e o foco do debate público. A discussão sobre economia, inflação, popularidade presidencial e dificuldades do governo pode ceder espaço à segurança nacional.

É um fenômeno conhecido na política: diante de uma ameaça externa, parte da população tende a se unir em torno do presidente, independentemente das divergências que existiam até então.

Isso não significa que Trump esteja inventando uma ameaça ou planejando uma guerra para salvar seu partido. Significa que existe uma diferença entre a existência de um problema internacional e a maneira como um governante decide administrá-lo e utilizá-lo politicamente.

O perigo está justamente nessa fronteira. Quando a segurança nacional passa a ocupar o centro da disputa eleitoral, decisões que deveriam ser avaliadas pela dimensão diplomática e militar também passam a produzir dividendos políticos.

Trump pode não ter criado a tensão com o Irã, mas certamente sabe que ela muda o ambiente político americano.

Roberto Gutierrez é jornalista. Na comunicação desde outubro de 1976, passou por todas as mídias e há quase três décadas é editorialista e analista político.

 

 

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