Nesta eleição de sopresas e desilusões, o candidato que merece uma análise à parte é Carlos Magno.
Por Roberto Gutierrez – Um dos personagens mais tradicionais da política de Rondônia, Carlos Magno já foi prefeito de Ouro Preto do Oeste, deputado estadual e deputado federal. Aos 68 anos, é um político experiente, um dos grandes articuladores do meio, respeitado e querido. Todas as apostas davam como certa a vitória dele nesta eleição para deputado estadual.
Afinal, uma armadilha política tirou Carlos Magno da disputa de deputado estadual há quatro anos, quando deputados articularam para que ele não fosse candidato.
Nesta eleição, Magno obteve 7.702 votos. Ironia das coincidências: seu número era 77777.
Não sei se é possível explicar exatamente o que aconteceu, mas arrisco uma leitura: Carlos Magno talvez não tenha tido fôlego para acompanhar essa garotada. Sua forma de pedir voto, baseada principalmente no corpo a corpo, na conversa com compadres e amigos, pode não ter chegado aos ouvidos de uma nova geração de eleitores, inclusive, daqueles que já estão na casa dos 40 anos.
Esse povo vive no mundo digital. E os algoritmos selecionam os novos compadres e amigos, inclusive aqueles que compartilham pensamentos, valores e escolhas políticas semelhantes.
Lamento dizer que meu amigo Carlos Magno, apesar da aura de uma pessoa carismática e do poder de convencimento do olho no olho, talvez não tenha percebido que a inclusão digital na política não é exame de próstata.
Conversar com essa nova geração é uma ciência um tanto complexa para nós, Magno, que somos da geração National Kid.
A política mudou. Os velhos compadres continuam existindo, mas agora moram também nas telas dos celulares.
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