Prédio de quatro andares desaba no Brás; bombeiros retomam buscas e investigam excesso de peso

Bombeiros trabalham entre os escombros de prédio de quatro andares que desabou no bairro do Brás, em São Paulo.

Imóvel de quatro pavimentos não tinha AVCB válido. Trabalhadores relataram descarga de até 27 toneladas de tecidos antes do acidente.

O Corpo de Bombeiros retomou na manhã deste sábado (7) as buscas nos escombros de um prédio de quatro andares que desabou na noite de sexta-feira (6), no bairro do Brás, região central de São Paulo. O imóvel, localizado na Rua Maria Joaquina, número 192, abrigava uma loja de roupas e tecidos.

Equipes de salvamento trabalham com cães farejadores e máquinas para remover os destroços e verificar se ainda há vítimas sob a estrutura. Até a última atualização, não havia registro de mortes nem confirmação de pessoas desaparecidas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, 35 pessoas estavam no imóvel no momento do acidente. Oito conseguiram sair por conta própria e outras 27 foram retiradas pelas equipes de resgate. Quatro delas sofreram ferimentos leves e foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca. As demais não precisaram de atendimento hospitalar.

Carga de tecidos pode ter provocado sobrecarga

Uma das principais hipóteses investigadas é que o peso das mercadorias armazenadas nos pavimentos superiores tenha contribuído para o desabamento.

Depoimentos de trabalhadores à Polícia Civil indicam que o prédio recebeu quatro grandes cargas de tecidos nos 15 dias anteriores ao acidente. Na operação realizada na sexta-feira, teriam sido movimentadas entre 1.600 e 1.800 bobinas, que poderiam representar até 27 toneladas de mercadorias.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, informou que dois contêineres haviam sido recebidos pelo estabelecimento. Parte da carga foi transportada para os andares superiores antes do início do segundo descarregamento.

A possibilidade de sobrecarga, entretanto, ainda depende de confirmação pericial.

Imóvel não tinha vistoria regular

Outro dado que chamou a atenção das autoridades é que o prédio não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido. O documento atesta que a edificação atende às exigências de segurança contra incêndios.

A Defesa Civil também foi acionada para avaliar as condições da estrutura atingida e verificar possíveis riscos nos imóveis vizinhos. Um estabelecimento comercial ao lado, identificado como Clay Têxtil, também foi atingido e interditado.

Polícia investiga as causas do desabamento

A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do acidente. Uma perícia de engenharia deverá examinar as condições estruturais do edifício, a distribuição das mercadorias e a possibilidade de sobrecarga.

O trabalho de resgate continua com cautela. Durante a madrugada, as equipes interromperam temporariamente as buscas por causa do risco de novos desabamentos. A operação foi retomada pela manhã, com apoio de maquinário da Prefeitura de São Paulo.

O objetivo é remover os escombros com segurança e confirmar que todas as pessoas que estavam no imóvel conseguiram sair.

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